Leitura, economia e sociedade: uma complexa evolução

Por Igor Macedo de Lucena*

Um dos maiores problemas na educação brasileira, abrangendo todas as classes sociais, é o baixo índice de leitura dos nossos jovens. Há alguns anos esse tema parece ter se tornado secundário, principalmente quando falamos sobre idéias, pensamentos e teorias, que passaram a ser temáticas dominantes nas redes sociais.

O que é mais agravante é quando a falta de leitura abrange principalmente a literatura clássica ocidental. É nítido quando se debate em fóruns virtuais sobre direitos e deveres em nossa sociedade que praticamente inexiste o debate sobre obras como Zum Ewigen Frieden (A Paz Perpétua) do filósofo alemão Immanuel Kant ou L'esprit des lois (Do Espírito da Leis) de Montesquieu. Encontra-se hoje um conjunto de debates e conversas sobre temas tão importantes como esses, sem saber exatamente de onde eles vieram e porque assim os foram formatados. O resultado é uma parcela da sociedade que julga que seus direitos são mais importantes que seus deveres, infelizmente amparados na conta do digital influencer de plantão.

A economia é outro assunto que tornou-se “top trending” na internet e da mesma maneira sofre de uma espécie de amnésia ideológica de nossos debatedores. Seja de viés liberal, encontramos aqueles que defendem o livre mercado sem nunca terem lido a primeira página de The Wealth of Nations de Adam Smith ou Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel de Ludwig Von Misses. Da mesma maneira encontramos aqueles intervencionistas e defensores do Estado grande que esqueceram de ler John Maynard Keynes. Cria-se então um conjunto de pessoas que querem um Brasil como uma economia de mercado eficiente com Estado gigante, algo fora de qualquer teoria aceita no mundo civilizado.

Os clássicos da literatura mundial são considerados “clássicos per se”, não pela idade de suas obras, e sim pela capacidade de sintetizar suas teorias que explicam a realidade como ela é ou de expor uma teoria social que é amplamente aceita pela maioria da população. 

Em um momento no qual política, direito e economia se tornaram os assuntos principais da mídia nacional, em que o fake news tornou-se uma realidade no Brasil e no mundo, os brasileiros precisam ler mais Maquiavel, Voltaire e Adam Smith e menos notícias prontas do Facebook, do Twitter e do Instagram, caso contrário se tornará um país de leitores de 280 caracteres.

 

* Igor Macedo de Lucena

Economista e Empresário

Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden

Fellow Associate of the Chatham House - the Royal Institute of International Affairs

Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales

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