Mark Zuckerberg, que é judeu, pede desculpas por bloquear conteúdo católico no Facebook

O CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, compareceu perante o Senado dos Estados Unidos e se desculpou pelo "erro" de bloquear conteúdo católico na rede social.

Zuckerberg, que compareceu hoje na Câmara dos Deputados, foi ao Senado no dia 10 de abril devido ao escândalo de violação da privacidade de milhões de usuários do Facebook, que teria sido usado para influenciar nas eleições presidenciais de 2016.

Em sua audiência que durou mais de cinco horas, Mark Zuckerberg pediu desculpas e disse que o Facebook "cometeu um erro" ao bloquear um aviso de uma Universidade Franciscana que mostrava a cruz de São Damião, logo depois que uma congressista de Washington, Cathy McMorris Rodgers, lhe perguntou sobre este caso.

Depois do bloqueio do aviso da Universidade Franciscana de Steubenville, o Facebook pediu desculpas e assinalou que haviam censurado o anúncio equivocadamente. Nesse sentido, Zuckerberg disse que há muitos anúncios que a equipe da sua companhia analisa constantemente, por isso "eu não extrapolaria de alguns exemplos o fato de que todo o sistema tenha um viés".

 

O CEO do Facebook lamentou não ter "considerado amplamente a nossa responsabilidade" para evitar o uso de ferramentas prejudiciais, especialmente em relação a "notícias falsas, interferência estrangeira nas eleições e discursos de ódio, assim como desenvolvedores e privacidade de dados".

Por outro lado, o senador Ted Cruz questionou Zuckerberg sobre um possível viés contra certo conteúdo religioso e político, afirmando que o Facebook "bloqueou mais de 24 páginas católicas" e conteúdo conservador, "depois de determinar que tal conteúdo era ‘inseguro para a comunidade’”.

Em julho de 2017, 25 páginas católicas foram bloqueadas pelo Facebook. Entre elas, havia ao menos 21 páginas católicas em português, 4 em inglês, administradas por pessoas dos Estados Unidos e da África, que chegam a milhões de usuários.

Cruz perguntou a Zuckerberg se algum conteúdo da ‘Planned Parenthood’ - a maior transnacional abortista do mundo – alguma vez havia sido removido. O CEO do Facebook indicou que não sabia se isso havia acontecido.

“A indústria tecnológica do Facebook está localizada em Silicon Valley, que é um lugar extremamente de esquerda", disse Zuckerberg, e indicou que busca assegurar "que não tenhamos nenhum tipo de viés".

Quando o senador Ben Sasse pediu-lhe para definir a frase "discurso de ódio", Zuckerberg respondeu que "essa é uma pergunta muito difícil", e reiterou que seguirá tentando evitar a disseminação do ódio e da violência.

"Há várias perspectivas sobre o tema do aborto neste painel atual. Imaginam um mundo no qual você possa decidir que as pessoas pró-vida estão proibidas de falar a respeito da sua posição sobre o aborto no seu conteúdo, na sua plataforma?", questionou Sasse a Zuckerberg.

À pergunta, o CEO do Facebook respondeu: "Certamente não quero que este seja o caso". Acrescentou que uma mudança para o uso da inteligência artificial com o fim de "revisar ativamente o conteúdo" poderia criar "muitas perguntas sobre as obrigações que gostaríamos que as empresas cumprissem".

Zuckerberg pediu desculpas em várias ocasiões pelo escândalo de vazamento da privacidade de aproximadamente 87 milhões de usuários, cujos dados foram "compartilhados inapropriadamente" e usados pela empresa Cambridge Analytica para influenciar as eleições de 2016.

A respeito do tema da privacidade, o senador Dick Durbin perguntou a Zuckerberg se ele se sentiria à vontade de compartilhar o nome do hotel onde ficou hospedado na noite anterior ou os nomes das pessoas a quem ele enviou mensagens nesta semana.

O CEO do Facebook disse que não, e Durbin disse-lhe: "Acho que disso se trata: do seu direito à privacidade, os limites do seu direito à privacidade e o quanto você está disposto a exibir nos Estados Unidos moderno com tal de 'conectar as pessoas no mundo'".

(ACI)

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