Torturam sacerdote idoso e lhe queimam as mãos e os pés

A Arquidiocese de Puebla (México) informou que Pe. Ambrosio Arellano Espinoza, de 78 anos, foi vítima de um ataque e tortura em um suposto assalto.

A Arquidiocese emitiu um comunicado no dia 11 de abril, dizendo que Pe. Arellano Espinoza está “hospitalizado” na UTI com "queimaduras de segundo grau nas mãos e nos pés".

Indicou que a situação do sacerdote é "estável, ainda que o diagnóstico médico seja reservado".

"Pedimos orações por sua pronta recuperação", acrescentou a Arquidiocese de Puebla.

Através do Twitter, Dom Alfonso Miranda, Secretário Geral da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), pediu "que Deus proteja e salve Pe. Ambrosio Arellano da Arq. de Puebla, e lhe conceda recuperar a saúde".


"Nós o encomendamos ao auxílio da Santíssima Virgem", expressou.


Em diálogo com o Grupo ACI, Pe. Omar Sotelo, diretor do Centro Católico Multimedial (CCM), que mantém registros e investigação de numerosos ataques contra sacerdotes nos últimos anos, disse que este ataque evidencia "que a violência continua imparável em diferentes regiões do país".

"As taxas de criminalidade não caíram, pelo contrário, elas pioraram", assegurou.

Nos dois primeiros meses de 2019, houve 5.649 homicídios, 13,5% a mais que no mesmo período do ano anterior. De acordo com o Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal A.C., 15 das 50 cidades mais violentas do mundo em 2018 eram mexicanas.

Padre Sotelo advertiu que a tortura é um padrão comum na maioria dos ataques a sacerdotes investigados pelo CCM.

O CCM elaborou um livro e um documentário sobre a perseguição e os assassinatos de presbíteros no México. Depois de vários inconvenientes, o filme será lançado no Congresso da União, órgão legislativo federal do país, no dia 23 de abril.

O sacerdote assinalou que em casos de violência e assassinato contra sacerdotes, "a tortura é um fato recorrente, que também nos permite ver o grau de violência".


"Qualquer ato violento é difícil de entender e é horrível, mas aqui se agride um sacerdote, apenas por ser sacerdote. Quando sabem que é sacerdote, torturam”, acrescentou.

Padre Sotelo também lembrou que este é o "segundo caso com maior repercussão" de ataques contra sacerdotes, no governo de Andrés Manuel López Obrador, que assumiu o cargo em 1º de dezembro de 2018.

Na noite de 13 de dezembro, o sacerdote jesuíta Raúl Cervera Milan caiu em uma emboscada, foi agredido e atacado com tiros em Huayacocotla, nas terras altas do norte do estado de Veracruz.

O sacerdote conseguiu escapar vivo e pedir ajuda às autoridades para chegar seguro à sua casa.

Para o diretor do CCM, a violência no México "quebrou todos os limites, todas as fronteiras, todos os status. A mensagem é clara, se um padre é assassinado ou torturado, então podemos assassinar e matar qualquer um, a qualquer hora e não acontece nada, ninguém será preso ou investigado”.

"Demos graças a Deus que não há perda de vidas a lamentar, mas não podemos ficar com isso. Ainda há agressões, extorsões, violência desenfreada e uma incapacidade das autoridades para responder a esses casos", assinalou.

(ACI)

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