Alunos visitam Museu do Ceará pela 1ª vez

Dos povos indígenas à evolução histórica de Fortaleza. Viajar no tempo pelos fatos que marcaram a cultura local, além de ser um aprendizado, é também um estímulo à imaginação. Guardião de memórias, o Museu do Ceará, no Centro da Capital, abriu as portas na tarde de ontem para receber 40 crianças assistidas pela Legião da Boa Vontade (LBV), Instituição que funciona na Vila Manoel Sátiro. Em todas as crianças presentes, uma coisa em comum revelada pelos olhares atentos a cada obra exposta: aquela seria a primeira visita dos estudantes a um museu.

E nesse contato inicial, as crianças apreciaram a exposição permanente 'Ceará - Uma História no Plural'. O passeio começou pela história dos povos indígenas e dos materiais que eles utilizavam para garantir a sobrevivência. Ao lado, a sala das armas e da escrita com foco na literatura cearense. Escravidão e abolicionismo na sequência e a história de fé do Padre Cícero. Na última sala, 'Fortaleza Imagens da Cidade', os alunos conheceram a história da Capital, desde o período em que era Vila, no ano de 1726, até o Século XIX, na chamada 'Fortaleza Belle Époque', quando a França ditava os padrões na sociedade.

O fascínio e a admiração despertados nas crianças, logo deu lugar as participações espontâneas que, mesmo tímidas, insistiam em fazer relações com as experiências pessoais. Foi assim na sala 'Padre Cícero, Mito e Rito', que evoca a religiosidade em torno do sacerdote, conhecido principalmente em Juazeiro do Norte. Ao ouvir as histórias do padre, alguns citaram o envolvimento dos familiares com as tradições católicas. Teve ainda quem lembrasse das imagens e dos artigos religiosos vendidos em Canindé.

Apesar da pouca idade, Kalebe Rabelo, 9, assegura que, com as informações adquiridas durante a visita ao museu, vai ter mais facilidade nos trabalhos escolares. "Como agora eu aprendi mais sobre a história dos índios, vou fazer mais rápido as tarefas que a professora passar", diz, destacando ainda as dúvidas que foram tiradas. "Antes, eu não sabia onde eles comiam e nem onde eram enterrados".

Destaque

Mas foi ao final da exposição que a curiosidade dos alunos ficou ainda mais aflorada. Lá, estava o Bode 'Ioiô', amplamente conhecido na Capital no ano de 1915. Envolto a episódios singulares, os memorialistas recordam que o bode bebia cachaça, levantava a saia das meninas e foi até eleito vereador, um a forma de protesto dos moradores que discordavam da política à época.

"Eu já tinha ouvido falar, mas não tinha visto ele de tão perto. E a história dele parece muito com a de hoje. É mais fácil confiar num bode do que numa própria pessoa", garante o estudante André Rabelo, 11. "Eu gostei muito dele porque não é comum ver um bode como vereador e também é muito engraçado. Mas eu também achei interessante a sala dos escravos. Não é certo pegar negros e maltratá-los. Ainda bem que não tem mais isso", opina Ana Sara, de 11 anos.

Segundo a educadora do Museu do Ceará, Mariana Araújo, é preciso que as crianças já nos primeiros anos de vida tenham acesso a equipamentos que resgatem a história de um povo."É importante que, desde pequenas, elas comecem a valorizar estes espaços de memória. Não só o museu, mas o teatro, bibliotecas, arquivos", recomenda.