Parque do Cocó é quase 5 vezes maior que o Central Park de Nova York

Após 40 anos de espera, o Parque do Cocó foi oficialmente regulamentado. A assinatura do decreto que torna o parque de Fortaleza uma Unidade de Conservação de Proteção Integral aconteceu no último domingo (4).

Com a demarcação, 1.571 hectares do Parque do Cocó serão adequados às regulamentações de preservação do meio ambiente, indicando, além disso, que o espaço deve ser de posse e domínio público. Entre as medidas de controle está a maior atuação da gestão ambiental, policial e de fiscalização do parque e do rio homônimo.

A atual área é cerca de 15 vezes maior que o embrião do bosque, o Adahil Barreto — denominado parque em 1983 após decreto municipal, com área de 10 hectares; 7 vezes maior que o Parque Ibirapuera, em São Paulo, e 4,5 vezes mais extenso que o Central Park, em Nova York. Mas, diferentemente do parque americano, o Parque do Cocó não é totalmente transitável.

Demanda

Foram 40 anos de espera. E depois de muitas idas e vindas, entraves e debates, até que enfim foi regulamentada a área que delimita o parque do cocó. Os 1.571 hectares de terras, na prática, significam que o governo estadual vai desenvolver ações para recuperar áreas degradadas. Além disso, qualquer ação que possa atingir o meio ambiente no parque se torna crime ambiental.

Mesmo com a delimitação, a área de dunas, nos bairros Cidade 2.000 e Praia do Futuro, considerada fundamental por ser um reservatório de água subterrânea, ficou de fora.

Os desafios são grandes para o governo e para a população. O professor do departamento de Geografia da UFC Jeovah Meireles diz que existem problemas ambientais sérios que já começam desde as nascentes do rio Cocó, no município de Pacoti. São 42 quilômetros de extensão.

Diante dessas questões, é preciso repensar a forma como tratamos o parque do cocó e todas as reservas ambientais. Sejam regulamentadas ou não.

E quando o assunto é preservação, a legislação é fundamental. No entanto, a participação das pessoas faz toda a diferença. Nesse ponto, as cerca de 600 famílias que vivem nas proximidades do rio podem desempenhar um papel preponderante. Essa é a preocupação do professor do departamento de Geografia da UFC José Borzacchiello da Silva, que tem trabalhado desde os anos 1970 para preservar o parque.

Para que fosse possível a demarcação do parque estadual do Cocó, a União teve de ceder parte do terreno, que agora está resguardado por legislação ambiental. Na solenidade, nesse domingo, o governador Camilo Santana disse que uma das ações previstas é o plano de manejo do parque, que determina os padrões de quaisquer atividades no local.

(Tribuna Band News)