Filme que conta a história do Plano Real é lançado nos cinemas

Filme que conta a história do Plano Real é lançado nos cinemas

O roteiro é baseado no livro “3.000 dias no bunker”, de Guilherme Fiúza

O economista Gustavo Franco (vivido por Emílio Orciollo Netto) é o personagem principal de "Real - O plano por trás da história". Mas quem for ao cinema também verá atores interpretando Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Serra...

O filme teve estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas e fala da equipe de economistas reunidas pelo então ministro da Fazenda FHC em 1993 para a criação de um novo plano para derrotar a inflação, que atingia 50% ao mês.

Mas por que ver a criação do Plano Real do ponto de vista do cara que se tornaria presidente do Banco Central e não de algum personagem mais famoso?

"Era o mais novo daquela equipe", explica ao G1 o diretor Rodrigo Bittencourt. "Além de a gente querer aproximar o jovem desse tipo de contato com a história do Brasil, ele era o personagem mais interessante. Ele tinha todos os antagonismos, uma personalidade forte... Era um sujeito muito 'rock n' roll' pra se transformar em um protagonista de filme. Tem um herói e um antiherói em uma mesma pessoa".

O roteiro é baseado no livro “3.000 dias no bunker”, de Guilherme Fiúza, que já botava Franco como personagem principal da trama. Mas o filme mudou um pouco o tom:

"No livro, Gustavo não tem um lado tão dark quanto no filme. Isso foi muito explorado, porque no livro ele é um jovem voluntarioso e patriota que quer chegar e mudar o Brasil. Nós achamos que seria melhor construir um personagem falhado", diz o roteirista Mikael de Albuquerque.

"Principalmente para denotar a realidade política que nós vivemos hoje, que não é preta ou branca, é acinzentada", completa Albuquerque.

Sem polarização

Em entrevista ao G1, Orciollo Netto comentou o fato de o filme ter sido acusado de ser “de direita” por sete cineastas pernambucanos, que se retiraram do festival Cine PE. O evento começaria no dia 23, mas foi suspenso.

"Se fosse propaganda política, pode ter certeza que nenhum artista iria fazer. É um longa-metragem sobre a elaboração de um plano. Por acaso, era o Governo Itamar e depois o Fernando Henrique assumiu", explica.

"Não gosto de entrar nesse mérito da polarização, senão vira uma briga de torcida e ninguém se escuta, ninguém se ouve", conclui o ator.

(G1)