Jogadoras vetam transgênero de time

Em janeiro de 2013, a equipe australiana de handebol foi "atropelada" pela Espanha numa derrota com contornos de humilhação e resultado final de 11-51. Na equipe estreava-se um novo goleador australiano, Callum Mouncey, uma fortaleza de 23 anos, 100 quilos, cabelo loiro e 1,90 metros, que nesse jogo se destacou marcando quatro golos pelos "aussies".

Mas ninguém podia imaginar a história por trás do jogador e sobretudo o que estava por vir: agora chamada Hannah Mouncey, que é uma atleta transexual e pretendia disputar o Mundial feminino que começou no fim de semana passado no Japão, seis anos depois de competir na categoria masculina.

Callum estava convencido de que seria selecionado, mas no último minuto o seu nome não surgiu na convocatória. Callum quis saber porquê e descobriu que as companheiras de equipe tinham vetado o seu nome e rejeitam a sua presença nos vestiários e chuveiros femininos. A história é contada na edição desta quinta-feira (5/12) do jornal espanhol "El País".

A Federação Australiana de Handebol nega que a discriminação sexual seja o motivo da exclusão de Hannah, mas um tribunal da federação está a analisar o caso.

Vários comentadores dizem que, na verdade, se a Austrália está a competir no Mundial, isso deve-se aos gols de Callum - logo na estreia, na fase de acesso de há um ano, em que o jogador do sexo masculino marcou 23 gols em seis jogos, fundamentais para o apuramento. 

"Nunca me senti parte do grupo. Conversei com a treinadora muitas vezes e ela dizia-me que era a melhor pivô da equipe", revela Callum citado pelo "El País". Mas depois de ter visto o seu nome na lista das 16 eleitas, vem agora acusar um grupo de jogadoras de boicotarem a sua presença no Mundial.

"Parece que meia dúzia de jogadoras reclamaram que não queriam que eu usasse os mesmos vestiários e chuveiros que elas", reclama Callum. 

Embora a convivência com as colegas fosse complicada, em campo, Callum, por ser homem, mostrava a sua superioridade.

(JN)

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