Querem me transformar num monstro, diz advogado

Querem me transformar num monstro, diz advogado

Foto: Arquivo Pessoal

O advogado Aldemir Pessoa Júnior, ex-noivo da empresária Jamille Oliveira Correia, morta em 30 de agosto, aceitou conversar com exclusividade com o Expresso Ceará. 

Ele explica porque não avisou nem à polícia nem aos familiares. Diz o motivo de ter levado a noiva para o IJF, revela detalhes do relacionamento, relata momentos que antecederam ao disparo e lamenta a forma como a Imprensa tem tratado o assunto. Aldemir nega que houve feminicídio. 

"Não existiu feminicídio. Eu precisaria ter um ciúme patente, uma raiva dela por algum outro motivo e a vontade de matar por conta dessa minha raiva", explica. "Essa vontade de me desenhar como um monstro é ruim e injusta". 

"Como praticar isso contra a pessoa que eu amava, que estava morando comigo?", se emociona. 

"Desde domingo que eu não tenho direito nem de viver o luto. Depois que enterramos a Jamile, foi só porrada, porrada por cima de porrada. A família, como não me conhecia, tem o direito de discordar, de duvidar. Por isso é importante esclarecer tudo", destaca.

Quando Expresso Ceará conversou com Aldemir Júnior, nesta quarta-feira (18/9), seria a data do aniversário dela, e a empresária faria 47 anos. "Nem à missa eu posso ir porque eu estou excluído de toda a sociedade, de todas as pessoas", lamenta.

O advogado explica o motivo de não ter levado a noiva para um hospital privado. Ele admite que, embora Jamile tivesse plano de saúde, o IJF é o melhor hospital para esse tipo de atendimento. "Não tem hospital melhor pra esse tipo de situação", explica.

Aldemir reconhece que errou ao não chamar a polícia após o episódio. "Sendo advogado vejo agora que me equivoquei. Talvez eu não estivesse com esse problema todo. Era pra ter chamado a polícia para ter feito uma perícia, mas eu estava preocupado com o bem-estar do Aloísio porque ele estava arrasado", diz.

O advogado repudia a acusação de que voltou [do hospital] para fazer uma limpeza no apartamento. "A imprensa fala que eu voltei para limpar o sangue. Isso não tem lógica. A hemorragia dela foi interna, e o lugar não ficou sujo de sangue", rebate.

Ele fala ainda que tinham "alguns pingos de sangue no corredor de entrada e dentro do closet, onde houve o disparo, e em um cantinho quando a gente estava puxando ela. O interior do meu carro é todo bege, eu não mandei lavar e não ficou uma mancha de sangue", ressalta.

Aldemir diz ainda que ele e o filho de Jamile só saíram do hospital depois que ela subiu para a sala de cirurgia. "O menino estava apenas de cueca, coberto por um blazer meu e de pé no chão. Voltei, coloquei ele pra deitar e chamei uma irmã minha para ficar com ele. Retornei ao hospital e fiquei lá até sete horas da manhã", explica.

O fato de não ter entrado em contato com familiares, segundo afirma o advogado, é que ele não conhece nenhuma pessoa da família de Jamile. "Apesar de estar com ela há cinco meses, eu nunca conheci nenhuma pessoa da família. Nem irmão, nem mãe,  nem irmã, nem os cunhados ou tios do Aluísio".

Aldemir até diz que conhecia a Gabriela e o marido "de vista, mas nunca tinha sido apresentado como sendo a pessoa que estava com a Jamile", explica.

O advogado afirma que Jamile era uma pessoa muito discreta. "Ela tinha suas reservas, muito na dela. Muitas pessoas não sabiam nem que eu morava com ela, então eu não avisei porque eu não tinha contato nenhum, nem o nome de ninguém. Na sexta-feira posterior foi que eu liguei para a Gabriela e avisei para os demais tios do Aluízio após a ir ao IJF e ter sido informado de que o estado dela era grave", relembra.

Segundo Aldemir Junior, Jamile era muito ciumenta. "Ela já vinha aborrecida comigo desde domingo por força de ciúmes. Ela era uma pessoa muito ciumenta, possessiva e eu não conseguia controlar essa possessividade dela", diz. O advogado relata que toda vez em que ela lia alguma mensagem no Whatsapp, ela ficava com raiva e o resultado era desastroso".

Aldemir explica que no carro, em que aparecem as imagens divulgadas nas redes sociais, o conflito se deu porque ele não queria subir, e ela interpretou que o advogado estaria terminando o relacionamento. "Eu disse, 'rapaz, quer saber de uma coisa? Nós estamos brigando tanto, que eu vou embora'. E ela fazia a leitura de que nós iríamos acabar", lembra.

"Ela se preocupava com o suposto término, como ela ficaria na frente das pessoas depois que ela já tinha me colocado para morar com ela", confessa. 

Aldemir lamenta a forma como tem se visto na Imprensa. "Eu não entendo porque quando eu digo alguma coisa à Imprensa, a informação não vem da forma como eu disse, por isso estou evitando o contato com a Imprensa. Só atendi agora porque eu estou praticamente condenado, acabado moralmente", diz, explicando o motivo de ter atendido a reportagem do Expresso Ceará.

O advogado lembra ainda que, em sua defesa, tem pelo menos duas testemunhas: o filho de Jamile e o porteiro do prédio. "Tem uma testemunha que ninguém pode tirar da situação, e não teria outra melhor, que é o filho dela. Tem também o porteiro do prédio".

Aldemir destaca ainda a posição tanto do médico que atendeu Jamile, no IJF, e da enfermeira que estava no local. "Tem ainda a palavra da vítima, que tem um valor, e eu não entendo porque ficam com essa suspeita", lamenta. O laudo do próprio médico que atendeu atesta que a Jamile disse que deu um tiro nela própria. "Isso foi um tiro que eu mesmo dei em mim", consta no prontuário. 

Sobre o fato de outro médico estranhar a trajetória da bala, segundo Aldemir, é normal. "Depois que eu arrombei o closet, eu e o Aluízio tentamos impedir o disparo, cada qual a seu modo, e isso pode ter desviado o caminho, já que ela se virou e mudou de posição", lembra. 

No entanto, o advogado ressalta que outro médico platonista, e que estranha o trajeto da bala, admite que ela possuía a característica comum de quem tenta cometer o suicídio.

Em desfavor de Aldemir, estão as imagens que mostram o desentedimento no interior do veículo, divulgadas nas imagens das câmeras de segurança do condomínio em que ambos estavam morando. Para ele, se as ações dos movimentos dele fossem agressões, "ela estaria coberta de murros, porque eu argumentava, pegava na cabeça, pegava no pescoço".

"Sou uma pessoa que falo muito, falo com os braços, com o olhar, tenho sim esse temperamento forte, impositivo até, o meu corpo fala por mim", confessa. Para o advogado, querem passar que ele é uma pessoa agressiva.

"Já tive dois casamentos. Um durou vinte anos, o outro demorou cerca de dois anos, tive outras namoradas, e ninguém relata qualquer situação de agressão ou de ciúme ou de desequilíbrio", conclui Aldemir. 

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