Casal morto em incêndio de Londres se despediu dos pais pelo telefone

O incêndio em um prédio residencial em Londres, o Grenfell Tower, matou 58 pessoas e chocou o mundo. Entre as vítimas, estavam os italianos Gloria Trevisan e Marco Gottardi. O casal vivia no 23º andar do prédio e viu as chamas se aproximarem do apartamento, sem possibilidade de fugir.

Eles tiveram uma única reação ao perceber que morreriam: telefonar para os pais. “Sinto muito nunca mais poder te abraçar”, disse Gloria, como relatou seu pai, Loris, ao jornal italiano “La Repubblica”.

Os dois eram arquitetos e tinham 27 anos. Haviam se mudado há quatro meses para Londres e estavam apaixonados pela cidade, segundo mostram suas postagens em redes sociais.

“Eu tinha minha vida inteira pela frente. Não é justo. Eu não quero morrer. Eu queria te ajudar, te agradecer por tudo que fez por mim. Eu estou indo para o céu, vou te ajudar de lá”, disse a filha ao pai, em suas últimas palavras.

Gloria havia telefonado para a casa dos pais em Pádua, na Itália, mais cedo para avisar sobre o incêndio no quarto andar. Na ocasião, disse para os familiares não se preocuparem, pois eles estavam bem. Pouco depois, porém, o casal percebeu que o fogo chegaria até eles e fizeram as novas ligações.

O pai de Gloria disse ter ouvido da filha que “eles queriam descer, mas viam chamas subindo as escadas e a fumaça era cada vez mais intensa”. Por volta de 3 horas da manhã no dia do incêndio, Gloria fez a última ligação. Os pais tentaram ligar de volta inúmeras vezes, sem sucesso.

Marco Gottardi também telefonou para sua família duas vezes. O jovem teria dito que o apartamento estava “coberto de fumaça” e a situação era grave, como contou seu pai, Giannino Gottardi, ao jornal “Il Mattino di Padova”.

“Na primeira chamada, Marco nos disse para não nos preocuparmos, que tudo estava sob controle. Ele estava tentando minimizar o que estava acontecendo, provavelmente para não nos preocupar. Mas na segunda ligação, e não consigo tirar isso da minha cabeça, ele disse que a fumaça estava tomando tudo e tinha virado uma emergência. Nós ficamos no telefone até o último momento”, afirmou Gottardi.

(Metrópoles)