O Ceará nas asas da ilusão

Por Allan Aguiar

Os números são demolidores da narrativa do HUB Aéreo salvador da nação cearense, criado pelo Trade oficial para tentar convencer os incautos de que sua agenda de fomento ao turismo possui alguma consistência e seja capaz de ajudar a nos tirar do atoleiro social que estamos imersos. Uma olhada nos números do Aeroporto de Fortaleza, agora sob gestão de padrão germânico, revela que o incremento verificado na análise comparativa dos anos de 2017, 2018 e até abril de 2019 estão longe de revelar destaques especiais da movimentação de passageiros em relação a outros aeroportos da Região Nordeste como os de Salvador e Recife. 

A contabilidade das próprias gestoras aeroportuárias mostra que, mesmo com os 20 milhões/ano dos cearenses para comprar voos da Air France/KLM, as posições do ranking no Nordeste não se alteraram. Fortaleza, na terceira posição, saltou sua movimentação total de passageiros de 5.935.288 em 2017 para 6.648.967 entre os anos de 2018 frente a 2017, significando 12,02% de incremento. Salvador saltou de 7.735.685 para 8.017.778, crescendo no período 3,64% enquanto Recife evoluiu de 7.776.881 para 8.422.566 representando 8,30% de subida. Recortando desse quadro apenas a movimentação total de passageiros em voos internacionais circulando nos respectivos terminais temos Salvador com 386.410, Fortaleza com 402.286 e Recife com 539.282 em 2018. 

Examinando os números iniciais de 2019, entre janeiro e abril, observa-se Salvador com movimentação total de 2.764.573, Fortaleza com 2.433.155 e Recife com 2.953.495. Quanto a movimentação total de passageiros internacionais, temos Fortaleza com 193.375, Recife com 172.780 e Salvador 170.966. Assim, chega-se a participação, no aeroporto de Fortaleza de 7,9% de passageiros em voos internacionais em relação ao total de passageiros, tendo Recife com 5,85% e Salvador com 6,18%. Registre-se que no passado o Pinto Martins chegou a contar cerca de 14% do total de sua movimentação de passageiros representados pelo fluxo em voos internacionais. Ou seja, esse gemido todo do Governo do Estado é para anunciar que pariu um ovo de codorna, ao custo de R$ 20 milhões/ano.

Outro dado que fulminou o ôba-ôba chapa-branca foram os números da imigração da Polícia Federal e do Ministério do Turismo/Embratur que, em seu Boletim Informativo do Turismo Receptivo Brasileiro publicado em junho de 2019, revela que São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Foz do Iguaçu continuam na liderança do receptivo do turismo internacional do Brasil e que Fortaleza cresceu, em 10 longos anos, modestos 8,95% seu efetivo receptivo internacional representado pelos turistas que não apenas desembarcam no aeroporto mas saem dele e circulam no Ceará. 

Com uma agenda eivada de equívocos, os gringos não estão ficando no Ceará mesmo com o Governo do Estado torrando uma média de R$ 1.395,18 por cada passageiro adicional a média dos fluxos das demais capitais nordestinas aqui mencionadas. A imensa miopia comemora movimentação de passageiros no interior do Aeroporto da Fraport e não Turistas hospedados nos hotéis do Ceará e comendo caranguejo nas Praia da Terra da Luz, muito menos visitando o diversificado e atraente interior do Estado. 

Se tomarmos 2018 como parâmetro, temos que chegaram no Aeroporto de Fortaleza, em voos internacionais, cerca de 200 mil passageiros, o que é um número muito parecido com o de 10 anos atrás. Um número absolutamente medíocre com o agravante de que esses não estão visitando o Estado. 

É entendimento pacífico que o primeiro passo para a solução de um problema é o seu reconhecimento. O Governo do Estado não consegue enxergar os seus dois problemas estruturais e que impedem o setor privado de acreditar no Ceará: Agenda e Gestão. Estamos pilotando errado e para a direção errada. Portanto, no Turismo, não chegaremos a lugar algum. Assim, perdidos em campo, o placar é Fraport (Alemães) 7 x 1 Ceará.  

Allan Aguiar é ex-secretário de Turismo do Ceará.

Expresso CE - Interna Inner