Sobre amor e apaixonamento

Por Evaniele Oliveira*

De acordo com C.S. Lewis o amor é: “esse estado que chamamos estar apaixonado: ou, se se prefere, o tipo de amor em que os apaixonados estão”. Apaixonar-se é uma experiência amorosa peculiar que consiste em encontrar uma pessoa que exerça atração e, sem ela, a felicidade parece ficar comprometida. Neste sentido, o amor e o apaixonamento se complementam: o amor faz com que o homem deseje não uma mulher qualquer, mas uma mulher em particular e o apaixonamento faz com que o homem queira a amada em particular e não o prazer isolado ou os sentimentos que ela possa lhe proporcionar.

Se segue que somente a partir da presença desses dois elementos – amor e apaixonamento – a sexualidade poderá adquirir o seu sentido. Se esses elementos não estiverem presentes, a sexualidade não poderá alcançar sua plenitude e acabará por se degradar. Em sua especificidade, esse tipo de amor se apresenta como um amor-dádiva que se transforma em amor-necessidade e estar apaixonado é viver um amor-dádiva-necessário que é a fonte do encanto entre os amantes. O amante necessita e tende à amada e a sua existência é, para ele, fonte de admiração. 

No apaixonamento se está diante de uma pessoa real e única que, por sua vez, se converte no projeto pessoal de vida do amante. No caso do amor, o amado é aquele que exerce atração por sua feminilidade ou masculinidade. O apaixonamento é um estado psíquico especial no qual os apaixonados compreendem o outro como dom no qual podem dar-se com gratidão. 

O apaixonamento produz muitos sentimentos, dentre eles, três se destacam: comoção, alegria e amor. Esses sentimentos fazem convite para tornar real o projeto de “viver para/ao outro”. Antes desse estágio é necessário existir um período de aproximação e conhecimento recíproco que, consolidado, gera o reconhecimento e os aproxima da vida comum. Inicia-se então o seguinte estágio onde os amantes não querem separar-se mesmo que seja necessário fazer renuncias. O amor, quando se faz presente, faz com que os amantes prefiram compartilhar infelicidades do que serem felizes de outra maneira. 

Na fase posterior (noivado), os apaixonados possuem diante de si uma tarefa em comum: analisar as possibilidades reais de unirem suas biografias em uma só e, para isso, é necessário conhecer-se e gostar-se com segurança, estabilidade, maturidade e compromisso de modo que seja possível progredir para a terceira fase do apaixonamento, ou seja, para a fundação da união conjugal (matrimônio). 

Evaniele Oliveira é graduada em filosofia e mestre em Ética Fundamental e Teoria Social e Política.

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