Trinta e cinco anos depois

Trinta e cinco anos depois

Walter Filho é Promotor de Justiça, no Ceará

Este ano, no dia 5 de julho, lembrei-me de uma derrota amarga ocorrida na Copa de 1982, que foi realizada na Espanha. Em face da eliminação de um time de craques, dentre os quais destaco Falcão, Zico, Sócrates e Júnior, surgiram diversos comentários apaixonados acerca do revés, sobretudo, dos que não perceberam a grandeza do adversário.

O Brasil é grande no futebol, sem dúvida, seu retrospecto mostra isso, mas a Itália era tão forte quanto nós. Analisando as duas seleções, sem a paixão que sempre cega, a squadra azzurra tinha um goleiro bem melhor, tanto que Dino Zoff fez a diferença na última bola. O trio de atacantes Bruno Conti, Paolo Rossi e Graziani era de longe superior ao nosso; infelizmente, tínhamos na frente Serginho (mascarado jogador/agressor covarde) e o ponta esquerda Éder.

As defesas se nivelavam. Oscar era destaque, foi duas vezes escolhido o melhor zagueiro da Copa, tanto em 1978 e, novamente, quando ao lado do italiano Scirea, formou a dupla titular da Seleção Fifa de 1982. Os laterais Gentile e Cabrini eram melhores marcadores, mas Júnior era mais jogador que Cabrini.

A Seleção brasileira tinha seu ponto alto do meio campo, onde superava o escrete italiano, uma vez que os talentos de Falcão e Zico revelavam esta superioridade e, mais ainda, estavam ladeados por Cerezo e Sócrates – um quarteto memorável. Naquele jogo, no entanto, dois habilidosos meio-campistas foram impecáveis, Tardelli e Antognioni, este fez o quarto gol italiano indevidamente anulado.

A Itália chegou sem esperança de nada, seus atletas não falavam com a imprensa. O técnico Enzo Bearzot era criticado por proteger jogadores da Juventus – o clima era terrível. Eis que a partir da vitória de 2x1 frente à valente Argentina, os italianos cresceram no torneio, vencendo o maior de todos, o Brasil (3x2), a Polônia (2x0), e na final bateram com folga a bicampeã Alemanha pelo placar de 3x1 – quem vence estes adversários merece a glória que para sempre carregarão.

Por Walter Filho

walterfilhop@gmail.com

Promotor de Justiça