Conheça a candidata que gastou R$ 469 mil em campanha e teve 186 votos, em 2018

A Polícia Federal investiga uma possível apropriação indevida de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), Fundo Eleitoral. Os alvos de mandados de busca e apreensão na capital sergipana e na cidade de Lagarto (SE) foram endereços ligados a Marleide Cristina dos Santos (MDB). A dona de casa é investigada pela suspeita de falsificar a prestação de contas de R$ 469 mil gastos em sua campanha para deputada estadual em Sergipe, que lhe renderam apenas 186 votos nas urnas, nas eleições de 2018.

A divulgar a operação que cumpriu mandados expedidos pela 2ª Vara Eleitoral de Aracaju, na última quarta-feira (2/10), a PF não citou nomes, mas relatou que a candidata nunca havia exercido mandato eletivo, tem pouca visibilidade política no estado de Sergipe, porém recebeu quase meio milhão de reais; valor muito superior ao recebido por outros integrantes do partido que tiveram votação bem mais expressiva.

Durante a investigação, identificou-se que, a candidata praticamente não realizou campanha política e que os recursos recebidos foram utilizados para financiar material de propaganda política de outros candidatos. Além disso, passou a movimentar os valores para pessoas físicas e jurídicas que, aparentemente, não prestaram serviços para a campanha eleitoral.

Constatou-se, ainda, que os valores gastos pela candidata eram desproporcionais aos gastos realizados por outros candidatos na contratação de serviços idênticos durante a campanha.

A prestação de contas exposta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) expõe que Marleide Cristina recebeu R$ 485 mil para a sua campanha eleitoral e gastou R$ 469 mil do Fundo Partidário, sendo R$323.410,00 registrados como despesas “diversas a especificar”.

A dona de casa já negou publicamente ter sido candidata laranja, ao afirmar ter prezado pelos recursos recebidos pelo partido. Mas os investigadores apuram indícios de que houve falsidade na apresentação das contas, pois não seria possível que a candidata tenha gasto a quantia para realização de propaganda em geral, quando, segundo seu depoimento, gravou apenas dois programas, sendo um de rádio e outro de televisão. Além disso, o volume de publicidade em redes sociais indica que a campanha foi amadora.

“Por ter a minha consciência tranquila, estou juntando toda a documentação necessária para ingressar com uma ação criminal por danos morais contra os veículos que propalaram, de forma distorcida, os gastos da nossa campanha, colocando-me como laranja diante da opinião pública, numa clara exposição pública da minha pessoa”, disse Marleide Cristina, anteriormente, segundo o site NE Notícias.

Segundo a PF, os investigados responderão pela prática dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, cuja pena é de até 5 anos de reclusão; e de apropriação indébita eleitoral, com pena de até 6 anos de reclusão.

Quando os recursos do Fundo Eleitoral não são utilizados nas campanhas eleitorais, devem ser devolvidos ao Tesouro Nacional no momento da apresentação da prestação de contas.

Além da candidata do MDB, foram investigadas pelo Ministério Público Federal e pela PF  em Sergipe as candidaturas de Ieda Suzana Walois Rodrigues Nascimento (PSDB), Alessandra Maia Vasconcelos Santos (PSDB), Vanessa Sotero da Silva (PSDB), Djane Montalvão da Luz (PSB), Jutailde Gomes Sá Barreto (PSB), Maria Izabel dos Santos Vieira (PSB). 

(Diário do Poder com informações da Comunicação Social da PF)

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