Governo Brasileiro condena ataque a cristãos coptas no Egito

O Ministério das Relações Exteriores condenou o ataque a um grupo de cristãos coptas na província de Minia, no Sul do Egito, ocorrido na última sexta-feira (26). Em nota, o Itamaraty criticou o episódio que deixou 29 mortos e 13 feridos, cuja autoria foi assumida pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI). O Papa Francisco também manifestou solidariedade aos cristãos egípcios, em oração especial neste domingo (28).

O comunicado afirma que o governo brasileiro recebeu a notícia com grande consternação: “Ao expressar suas condolências às famílias das vítimas, seus votos de plena recuperação aos feridos e sua solidariedade com o povo e o governo do Egito, o Brasil reitera veementemente seu repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo, independente de sua motivação”, diz a nota.

As vítimas estavam em um ônibus que ia em direção ao mosteiro de São Samuel, a poucos quilômetros do povoado de Al Adua, quando foram surpreendidas por homens armados.

Em comunicado, cuja autoria não pôde ser comprovada, e divulgado através do Telegram, o Estado Islâmico informou que "soldados do Califado" cometeram o atentado em que mais de 31 "cruzados", em referência aos cristãos, perderam a vida. Além disso, disse que pelo menos 24 dos cristãos ficaram feridos e que um dos veículos foi incendiado. A informação é da Agência EFE.

‘VIOLÊNCIA FEROZ’

No sábado (27), durante uma visita a Genova, Francisco orou pelas vítimas e lamentou que haja mais mártires hoje do que nos primeiros tempos cristãos. E voltou a manifestar solidariedade diante de milhares de pessoas, neste domingo, em uma oração feita para as vítimas. Nas palavras do papa, eles foram mortos em "outro ato de violência feroz" depois de terem recusado renunciar à fé cristã.

Segundo a procuradoria egípcia, que entrevista testemunhas e feridos do ataque, dois carros, nos quais havia seis homens mascarados, pararam em frente ao ônibus para bloquear o caminho.

Dois jihadistas do grupo entraram no ônibus, que transportava os cristãos coptas, e roubaram todos os bens enquanto ameaçavam os passageiros com armas de fogo.

Após isto, segundo a procuradoria, os jihadistas começaram a disparar dentro do veículo, uma versão que difere da que foi divulgada  pelo Ministério do Interior, na qual os terroristas teriam atirado aleatoriamente de seus carros, e não de dentro do ônibus.

Os investigadores informaram também que encontraram outro carro queimado a 200 metros de distância do local onde ocorreu o ataque e que várias armas foram encontradas no interior do veículo durante uma inspeção.

O EI assume desta maneira a autoria do terceiro massacre contra os cristãos coptas nos últimos seis meses, que deixaram quase 80 mortos no total.

O presidente egípcio Abdel Fatah al-Sisi ordenou ontem que as forças aéreas realizassem bombardeios contra pontos jihadistas perto de Derna, um dos redutos extremistas situado no leste da Líbia. O governante afirmou ainda que o Egito "não hesitará em atingir centros de treinamento" dos terroristas, tanto em "solo egípcio como estrangeiro".

(AE com EFE)