“Motoqueiro” de Dilma recebe R$ 21 mil em cargo comissionado no Senado

O ex-ministro da Previdência Social Carlos Gabas (PT-SP) foi nomeado, nesta terça-feira (6/6), para cargo comissionado na liderança da minoria do Senado. O salário bruto para a função que ele irá exercer é de R$ 20.950,16. As informações são de Andreza Matais, da Coluna do Estadão.

Chefe da pasta durante o mandato da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), ele mantinha proximidade com a petista e ficou conhecido por levá-la para passear na garupa de sua moto.

No mesmo ato de nomeação, o boletim do Senado informa que o ex-ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) foi rebaixado de cargo. Ele também é lotado na liderança, que virou destino de vários ex-colaboradores de Dilma. Com a mudança, o salário de Carvalho caiu de R$ 29,9 mil para R$ 15,7 mil bruto.

Gabas e Carvalho foram contratados pelo senador Lindbergh Faria (PT-RJ), que responde pela liderança. Eles estão dispensados de assinar o ponto, mecanismo de confirmação de presença na Casa.

Lava Jato

Mensagens obtidas pelos investigadores da Operação Lava Jato no celular de José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, indicam que Carlos Gabas teria intermediado negócios da empreiteira com o governo do Distrito Federal em 2014, época em que era comandado por Agnelo Queiroz (PT) e tinha como vice o peemedebista Tadeu Filippelli.

A empresa participou do consórcio que construiu o BRT Sul, o Expresso DF, ramal do transporte público que liga a cidade de Santa Maria ao Plano Piloto.

Em 27 de outubro de 2014, um número atribuído pelos investigadores a Léo Pinheiro encaminhou mensagem a Gabas citando José Lunguinho Filho, diretor da OAS Defesa. “Amigo, Não deu para o Lunguinho lhe ver. Abaixo a nossa agonia”, afirma Pinheiro, citando em seguida as “principais pendências” que envolviam as obras do BRT Sul de Brasília.

Nas mensagens, MM significa “milhões”, CEF, “Caixa Econômica Federal” e GDF, governo do Distrito Federa. “Contrato: – Solicitar ao GDF (Casa Civil e Secretaria de Transportes) a aprovação do 7.º Termo Aditivo e a respectiva reprogramação (R$ 60 MM), junto a CEF. – Última medição recebida foi referente ao mês de Junho/14. Saldo financeiro do contrato após este recebimento = R$ 90 MM – Recursos: empenhar e pagar – R$ 30 MM da fonte 100 do GDF (contra partida) desbloquear e pagar – R$ 60 MM do convênio de empréstimo, junto a CEF. Grande abraço, Léo.”

Cinco horas depois da primeira mensagem, ela foi respondida por um número que a investigação atribui a Carlos Gabas. “Ok. Cuido daqui.” Ele nega qualquer envolvimento com atos ilícitos.

(Metrópoles