Perseguição à instituição católica baseou-se em fraudes jornalísticas

Ao ignorar as técnicas mais básicas do jornalismo (apurar e checar), muitos profissionais da área acabam por praticar uma "barrigada", que no jargão jornalístico é uma matéria falsa ou errada, publicada com grande estardalhaço. 

Caso exemplar de "barrigada", que resultou em vergonha internacional, aconteceu com o jornalista Mário Sérgio Conti. Era junho de 2014. Época de Copa do Mundo, e Conti entra em um voo do RJ para SP quando encontra o então técnico da Seleção Brasileira, o Felipão, acompanhado do Neymar. 

O jornalista que escreve para o Globo, Folha de São Paulo e tem um programa na Globo News, não teve dúvida e foi entrevistar o técnico da seleção, em busca do "furo", que é o jargão utilizado para uma informação publicada em um veículo antes de todos os concorrentes. 

Nem passou pela cabeça de Mário Sérgio Conti que a presença de Felipão, naquele voo, não fazia sentido, já que a seleção tinha jogado horas antes em Fortaleza. 

Não era o Felipão. Era um sósia, o ator Wladimir Palomo, que faz o personagem Felipão em eventos. Neymar, que o acompanhava, também era um ator. Em um determinado momento o "Felipão" afirmou: "Se tivéssemos três como ele (o Neymar), a Copa seria uma tranquilidade". A frase virou manchete no UOL, Folha de São Paulo e Globo, desmoralizando os veículos. 

O erro foi logo percebido, a matéria retirada do ar e substituída por um "Erramos", o que obrigou Conti a se desculpar com os leitores.

Ao que parece, os grandes veículos que pensam dominar o mercado de comunicação nacional teimam em passar vergonha através de seus profissionais. É o que vem acontecendo desde semana passada, após avassaladora enxurrada de notícias falsas sobre a Associação Católica Arautos do Evangelho, instituição que possui cerca de 200 sacerdotes devidamente ordenados e com presença em 78 países. 

O jornal ‘O Globo’ lançou matéria dizendo que a instituição possui padres exorcistas que são satanistas. A ‘Folha de São Paulo’ alegou que os membros da instituição desejavam a morte do Papa e que fizeram pacto com o diabo. Não demorou muito e as matérias foram se reproduzindo em outros jornais seculares de diversos tamanhos, inclusive no exterior. Ou seja, notícias mal produzidas, descompromissadas com a verdade, são fraudulentas e terminam por caluniar uma entidade séria.

O Departamento de Imprensa dos Arautos questionou a forma e o teor da publicação: "Surpreende que um jornalista de publicação séria como a Folha de São Paulo, tenha fundamentado sua nota somente no sensacionalista Daily Beast, conforme atestava seu editor chefe em entrevista datada de 2015, 'Busca coleções, escândalos e histórias sobre mundos secretos'. Com qual intuito?".

Não dá pra negar que as manchetes estimulam a curiosidade do leitor, mas, basta pensar um pouco (muito pouco mesmo) e perceber que as matérias são incongruentes na essência. Seria o mesmo que soltar uma matéria com o título "construtor de casas deseja que pessoas morem na rua e não comprem mais moradias". Surreal assim.

A única explicação plausível para tais publicações denominadas atualmente de "fake news" é caluniar e criar uma imagem extremamente negativa sobre tal entidade, que, não por coincidência é uma instituição católica. A forma e conteúdo da notícia apontam para uma prática já conhecida no meio jornalístico: a "rec", quando a matéria é "recomendada" pela alta direção da empresa ou atende interesses de pessoas ou entidades a eles ligados. 

É obrigação do jornalista apurar e checar antes de divulgar. A apuração está associada a checagem dos fatos, e é o que difere os jornalistas de todos os outros profissionais envolvidos na elaboração de um jornal. Também é uma maneira de tentar aproximar a informação da verdade jornalística, o que, definitivamente, não aconteceu neste caso.

Antes de escrever essa matéria, o Expresso Ceará checou como e quem falou em nome dos Arautos do Evangelho para tratar com os jornalistas sobre os assuntos abordados. Para surpresa infeliz, os Arautos não foram procurados. Ninguém buscou checar a fonte para ouvir o outro lado. Mais uma triste página a constar na história do jornalismo. 

Muitas das falsas matérias afirmavam que havia sido montada uma comissão do Vaticano para investigar os Arautos. Ocorre que nem a Santa Sé se pronunciou sobre isso. E vale lembrar que a instituição católica Arautos do Evangelho possui o Direito Pontifício dado pelo então papa João Paulo II e confirmada pelo sucessor, Bento XVI.

Ainda de acordo com os Arautos do Evangelho, "sem uma união afetiva e efetiva com o Santo Padre e à Santa Mãe Igreja, qualquer atividade evangelizadora seria com um galho seco da videira". Quem quiser ter acesso ao documentário sobre o Arautos, pode clicar AQUI.